No Teu Jardim

Mulheres que ainda correm com eles

Mulheres que ainda correm com eles

Porque todas nós que sabemos quando a lua nasce. “Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder […]

O anseio que era leve

O anseio que era leve

E este anseio, que vem do fundo de mim, pelo que é bom para o coração mas que me destrutura a alma. Este anseio que faz cada atómo meu estremecer e que me acorda, que me lava o rosto com água fria e que me […]

Uma Lua Cheia

Uma Lua Cheia

Nunca soube ficar, tenho dificuldade em sair dos meus processos internos e isso impede-me de saber ficar mais vezes do lado calmo e quentinho da vida.

Ao longo dos anos fui me apercebendo que há dois tipos de pessoas, as pessoas sol e as pessoas lua. Eu sou mais lua mas nem por isso, mostro facilmente aos outros o meu lado lunar. Esse lado é mais meu, mais tímido e mais difícil de se dar ao outro. 

Acredito que a minha ligação com a Lua vem daí, deste meu ímpeto de me aprofundar nos meus processos e de me esquecer que o sol já nasceu lá fora e que eu, mais uma vez, me esqueci de abrir a janela. 

Há quem diga que a Lua nos ilumina de uma forma subtil e que nos mostra os nossos ângulos mais profundos, os nossos medos e as nossas angústias de forma clara e bastante visível. Para mim, é bastante mais do que isso. Em noites de Lua Cheia é fácil perceber a intensidade da minha energia, é fácil perceber que todas as emoções que eu fui acumulando ao longo do ciclo são purgadas numa noite de Lua cheia, é um momento magnífico e único que me faz sentir um vazio bom depois da purga de tudo o que já passou. 

Entregarmo-nos a este processo é permitirmo-nos que a luz entre outra vez em nós, é deixar -nos acolher e dar ao colo aos medos e tempo da luz voltar a entrar num ciclo mais vibrante. 

Habituamo-nos a mostrar o nosso lado mais fácil, tal como escolhemos o lado da cama onde queremos descansar, é uma escolha que pode durar uma vida.

Aqui fica o meu processo desta Lua cheia Bonita para o dia 17 de Junho: 

Agarra em tudo o que já nao queres, escreve tudo num papel. 

Ouve uma música bonita que te faça ouvir o coração de dentro para fora,

Agora rasga e sente o maravilhoso que é o desapegar do que já nao é teu, queima tudo num lugar seguro, 

Dança e permite que a música entre em ti. 

Agora sim, enterra tudo num lugar longe de casa e de ti, já nao precisas de nada do que já nao te cabe e estás pronto para um novo ciclo. 

O meu mar e o teu medo de ondas

O meu mar e o teu medo de ondas

Sinto todos os dias que a nossa vida podia ter sido diferente. Queria poder dizer que amavas ver me livre, queria ter poder ter dito que me tinhas sabido a ensinar a amar, levemente, sem cobranças, sem sufocar e sem medo, tal e qual como […]

Uma Lua Cheia

Uma Lua Cheia

Esta madrugada, 28 junho, pelas 05:54, tivemos a Lua Cheia de Capricórnio.

Mais uma oportunidade para revermos as estruturas que podem já não estar a servir os nossos caminhos e transformá-las em novas.

Uma oportunidade para tomarmos consciência de onde somos rígidos, inflexiveis, obstinados, duros e frios, e podermos com essa Luz da Consciência, transformar isso em novas estruturas, internas e externas, de forma mais madura, mais autêntica, mais alinhada com aquilo que é realmente a nossa Vontade e Verdade.

Esta pode ser também uma boa altura para vermos os desenvolvimentos das nossas ações: Onde nos têm levado? O que nos têm trazido? Que concretizações atingimos? O que precisamos refazer e reformular? O que preciso deixar ir? Que compromissos devo assumir comigo e com a vida?

Esta Lua Cheia no Eixo Caranguejo-Capricórnio leva-nos também a um mergulho interior, ir abaixo do visível, olhar os nossos bloqueios emocionais, verificar as estruturas internas mais profundas, ir às águas das memórias e das emoções libertar o que precisa ser liberto, trazer para cima, aceitar, curar e transformar em algo mais sublime e valioso para as nossas vidas.

Claúdia Machado

Porque amar também é isto.

Porque amar também é isto.

Porque amar também é isto // O sol deixou o céu Para a lua brilhar E a chuva deixou De cair Para que o chão secasse E para ver brotar As flores e frutos Por aí. Não me deixes_Carolina Deslandes // Maro

O pequeno mundo deles

O pequeno mundo deles

No outro dia a minha mãe mostrou-me as minhas roupas de quando eu era pequenina, contou-me histórias minhas que só ela sabe e no fim pôs tudo numa caixa para nunca se esquecer que a bebé dela já é um bocadinho mais crescida.

As histórias da minha mãe fazem-me perceber que afinal já não só essa menina pequenina mas que ainda tenho muito dela dentro de mim. Depois a minha mãe contou-me algumas das histórias dela e mostrou-me uma composição que tinha feito com seis anos, então começava assim: Gosto muito da Primavera, de flores etc e de àrvores etc. Sim, realmente não admira que a minha mãe seja engenheira. O amor pela escrita e pelo abstracto nunca foram uma vocação.

Fiquei apaixonada por esta história da minha mãe, a minha mãe cumpriu-se,  percebi ao ler aquela composição que ela é prática que gosta que tudo no mundo seja directo e arrumado e ela nunca deixou de ser assim. Aconchega-me o coração ouvir histórias das pessoas de quem gosto quando eram pequeninas, muitas dessas histórias poderiam ocorrer hoje e isso faz me acreditar que os lados mais infantis nunca irão deixar de existir dentro de todos nós. Quando ainda andava na primária esquecia-me de tudo e perdia muitas coisas. Quantas camisolas, lancheiras e brinquedos ficaram perdidos no recreio da minha escola. Ainda hoje acontece ser muito distraída e esquecer-me de coisas. No outro dia o meu pai contou-me que tinha encontrado uma mãe de uma colega minha da primária. A primeira história que ela se lembrou minha foi que um dia eu estava com tanta pressa que ela me encontrou às quatro da tarde e me perguntou onde é que eu ia com tanta pressa, respondi-lhe que me tinha esquecido de almoçar porque tinha ficado a brincar à hora de almoço toda e que não podia ser. Hoje em dia já não me esqueço de almoçar mas continuo a dar prioridade às coisas que me fazem feliz.

No entanto, quando crescemos existe um sentido de responsabilidade que antes não existia. Como já disse de outras vezes, eu tenho muito medos, medos que eu não tinha em criança passei a ter em adulta. Acredito que somos versões crescidas dos pequeninos que éramos mas às vezes esquecemo-nos disso e levamo-nos muito a sério.

Confesso que a minha falta de jeito com crianças deve-se ao medo que eu às vezes tenho de em não conseguir aceder ao lado mais leve da vida. Tenho sempre medo que me olhem como a adulta idiota que ainda não percebeu que o mundo é lindo. Tenho medo de não conseguir aceder ao mundo espetacular que só elas conseguem, por isso é que estas histórias me fazem sonhar e me aconchegam. As crianças são mesmo o melhor que temos no mundo, o resto são só versões estranhas de nós que acham que o mundo precisa sempre de mais qualquer coisa para ser um lugar melhor, mas não.

Um pequeno pássaro

Um pequeno pássaro

O sol estava quente e o barulho das árvores e das folhas faziam-me sentir imensamente agradecida por poder testemunhar aquele momento. Enquanto bebia café, um pequeno passarinho pousou na minha mesa – como se também quisesse testemunhar  aquele momento comigo. Assim, durante alguns segundos ficámos […]