Month: June 2019

A história do amor e do compasso errado.

A história do amor e do compasso errado.

Acho que o amor tem tempos e compassos, tem graves e agudos e tem também momentos de silêncio. O amor tal como o silêncio é absoluto, ou há ou deixa de haver. Sempre tive uma relação de amor-ódio-profundo com os conceitos absolutos, sempre acreditei que […]

Sempre

Sempre

Porque calas o meu grito de choro com beijos e porque sufocas a minha angústia com um abraço, porque resolves o mundo com a tua mão no meu cabelo, porque me lambes as feridas que sagram e esperas, comigo, que fique só uma cicatriz, porque […]

Casa

Casa

Aqui ainda ninguém me chama pelo nome nos cafés e ainda não chamo as ruas por tu.  

Acredito que voltar a casa é respirar bem e fundo. É saber entrar em casa de venda nos olhos e saber onde estão os talheres, é abrir a porta de casa e gritar que se está, de facto, em casa e é perguntar o que é o jantar várias jantar durante o dia. Há vezes que o turbilhão que sentimos na nossa casa interior nao nos deixa voltar ao seguro, ao confiável e ao jantar a horas. Voltar à raiz é corajoso, porque é profundo e porque pode doer. Pode doer porque ver de onde voltámos mostra-nos porque é que fomos, e ter ido às vezes pode ser sinal de que um dia quisemos fugir. 

Aqui ainda ninguém me cobra se os talheres estão no sitio certo mas ninguém me pergunta se quero jantar, e eu às vezes, muitas, quero jantar. Aqui ninguém me quer influenciar para ir por ali ou por aqui, e há vezes que isso é a maior libertação que posso sentir, mas há vezes que um mapa de presente me dava jeito. 

Tenho percebido ao longo do tempo que esta minha casa já existia e que já estava decorada antes de eu achar que estava. Acho que eu já morava nesta casa onde a roupa nao se organiza por cores, onde há sempre flores e onde a loiça fica por lavar. Faltava-me um endereço e um código postal, mas agora tem. Essa casa que eu sonhava tem agora o meu nome escrito à porta e eu entro todos os dias sabendo de vendas nos olhos onde estao os talheres, a casa em que eu grito que já cheguei e a casa em que pergunto, todos os dias, o que é que se vai jantar hoje. 

Mulheres que ainda correm com eles

Mulheres que ainda correm com eles

Porque todas nós que sabemos quando a lua nasce. “Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder […]

O anseio que era leve

O anseio que era leve

E este anseio, que vem do fundo de mim, pelo que é bom para o coração mas que me destrutura a alma. Este anseio que faz cada atómo meu estremecer e que me acorda, que me lava o rosto com água fria e que me […]

Uma Lua Cheia

Uma Lua Cheia

Nunca soube ficar, tenho dificuldade em sair dos meus processos internos e isso impede-me de saber ficar mais vezes do lado calmo e quentinho da vida.

Ao longo dos anos fui me apercebendo que há dois tipos de pessoas, as pessoas sol e as pessoas lua. Eu sou mais lua mas nem por isso, mostro facilmente aos outros o meu lado lunar. Esse lado é mais meu, mais tímido e mais difícil de se dar ao outro. 

Acredito que a minha ligação com a Lua vem daí, deste meu ímpeto de me aprofundar nos meus processos e de me esquecer que o sol já nasceu lá fora e que eu, mais uma vez, me esqueci de abrir a janela. 

Há quem diga que a Lua nos ilumina de uma forma subtil e que nos mostra os nossos ângulos mais profundos, os nossos medos e as nossas angústias de forma clara e bastante visível. Para mim, é bastante mais do que isso. Em noites de Lua Cheia é fácil perceber a intensidade da minha energia, é fácil perceber que todas as emoções que eu fui acumulando ao longo do ciclo são purgadas numa noite de Lua cheia, é um momento magnífico e único que me faz sentir um vazio bom depois da purga de tudo o que já passou. 

Entregarmo-nos a este processo é permitirmo-nos que a luz entre outra vez em nós, é deixar -nos acolher e dar ao colo aos medos e tempo da luz voltar a entrar num ciclo mais vibrante. 

Habituamo-nos a mostrar o nosso lado mais fácil, tal como escolhemos o lado da cama onde queremos descansar, é uma escolha que pode durar uma vida.

Aqui fica o meu processo desta Lua cheia Bonita para o dia 17 de Junho: 

Agarra em tudo o que já nao queres, escreve tudo num papel. 

Ouve uma música bonita que te faça ouvir o coração de dentro para fora,

Agora rasga e sente o maravilhoso que é o desapegar do que já nao é teu, queima tudo num lugar seguro, 

Dança e permite que a música entre em ti. 

Agora sim, enterra tudo num lugar longe de casa e de ti, já nao precisas de nada do que já nao te cabe e estás pronto para um novo ciclo.