A história do amor e do compasso errado.

A história do amor e do compasso errado.

Acho que o amor tem tempos e compassos, tem graves e agudos e tem também momentos de silêncio.

O amor tal como o silêncio é absoluto, ou há ou deixa de haver. Sempre tive uma relação de amor-ódio-profundo com os conceitos absolutos, sempre acreditei que ninguém é meio-livre ou meio-amado ou meio-silencioso.

Ao mesmo tempo, passei a acreditar que tudo o que é absoluto exige tempos e compassos para puder, um dia, ser inteiro, acredito que os graves e os agudos tem momentos de silêncio profundo para depois podermos, de novo, ser capazes de dançar juntos a mesma cançao.

Os compassos fazem esperar e nem sempre se espera ao mesmo tempo ou da mesma maneira. Às vezes quereremos cantar canções de amor-para-sempre e o outro que cantar-nos sobre como o mundo é um lugar frio e particular, às vezes queremos puxar o outro para dançar connosco e queremos mostrar como o mundo é mais feliz assim mas às vezes o outro quer sentar-se e ver-nos dançar. 

Há vezes que dançamos e pisamos o pé um do outro e há vezes que queremos só nao dançar para nao pisar ninguém. 

Acredito sempre que o amor quando é inteiro fica até ao fim, fica e espera que seja o tempo certo para se puder cantar e ser feliz, mas muitas e muitas vezes vamos entrar no tempo errado, porque temos pressa, porque temos urgência em dançar e depois, mais uma vez, o amor aparece e obriga-nos a ficar sentados para aprender a saber ouvir, tal qual nos faziam nas cadeiras da escola.

Vamos desafinar, mas o amor vai-nos mostrar como cantar a nossa canção e vai-nos dizer bem baixinho que, enquanto houver amor, podemos fazer de novo e a tentar tudo de novo uma e outra vez.