Amor

Amor

Amor, 

Nunca acreditei naquelas pessoas que dizem com toda a segurança do mundo: “Não preciso de ninguém para ser feliz”, das duas uma ou não se pode confiar (como eu não confio em que não gosta de animais ou em quem não gosta de fruta) ou está a mentir só porque sim. Bem, nem é bem só porque sim, criaram-nos esta fobia de admitir que é bom ter um abraço que faz o nosso coração bater mais rápido.

É suposto dependermos de quem gostamos, é bom que seja assim, é sinal que deixamos cair todas as armaduras e dizemos sem falar que um cafuné pode ser a melhor terapia do mundo. A palavra dependência ganhou uma conotação negativa a partir do momento em que todos temos de provar a todos que todos somos capazes de fazer tudo sozinhos “Aí eu não preciso dele para nada” ou “Agora é que eu estou bem, sozinha, focada em mim”, quantas vezes e quantas vezes ouvimos isto. Pensamos imediatamente: “Esta sabe o que quer”. Bem, secalhar não.

 A dependência que falo não é aditiva nem inquisidora, é só leve, daquela que faz bem ao coração e nos aconchega a alma. E não há mal nenhum em querer isso. As pessoas tem medo em admitir que precisamos do outro, é sinónimo de fraqueza, falta de amor próprio ou falta de auto-estima.

O Amor, quando chega mostra-nos a nossa melhor versão de nós, faz-nos acreditar que o mundo pode ser um lugar melhor com aquela pessoa ao nosso lado e faz com que todos os dias sejam bonitos. Às vezes, o amor demora a chegar e enquanto ele não chega somos felizes à mesma, quando estamos sozinhos somos mais egoístas, mais focados em nós, mais eu eu eu. E também não há mal nenhum nisso, aliás é bom sabermos lidar e controlar  o nosso eu mais narcisico para depois quando o amor chega sabermos dar o melhor de nós.

Uma vez ouvi alguém dizer que estava sozinho precisamente porque respeitava o amor,  foi a forma mais bonita de amar que eu já ouvi. Esta coisa que as pessoas tem de perseguir a tentativa-erro no amor subtrai-lhe verdade. Não há nada mais triste do que amor sem verdade, aliás é uma contradição é como presente sem passado, não existe.

O amor tem sido banalizado, passou a ser a um jogo das cadeiras. A vida corre muito depressa, os estímulos são muitos, e às vezes pode ser difícl distinguir o trigo do joio. Mesmo assim, é preciso saber quando nos arrepia a cabeça ou quando nos arrepia o coração. É preciso ter muita clareza de espiríto para saber esperar pelo amor “para sempre- até acabar”, levemente genuíno e remédio para todas as feridas.