Conectar

Conectar

 

Conectar parece uma palavra pomposa e digna de ser pronunciada apenas para quem medita de pernas cruzadas, mas não.

Gosto de acordar e sentir que tenho tempo para ter tempo, de fazer o meu pequeno almoço de mim para mim com muito amor, de mudar de caminhos que vão dar ou não ao mesmo sitío e gosto de perder a vontade de olhar para o telefone. Gosto de chamar a isto tudo voltar a conectar com o que realmente importa, aquilo que nos faz sentir vivos por dentro.

O ano passado, voltei a descer a Costa Vicentina – de tenda na mão, de pé descalço e de sal na pele. Senti-me mais viva que nunca e descobri de novo o que é que a palavra vida contém afinal de real.

Felizmente, trabalho num sitío espetacular, estou rodeada de pessoas em que confio plenamente e que todos os dias me fazem sentir em casa, por isso, voltar ao trabalho depois das férias não é um sacrificío monumental, mesmo assim, sim, já pensei largá-lo. Quem não?

Sempre que volto de férias olho para para o trabalho com a sensação que a vida adulta, aquela do trabalho das 9H às 18H não é de todo a minha vida real, é impossível que seja. A verdade é que a maior parte de nós quando se apresenta a alguém pela primeira vez a primeira coisa que diz é em que é que trabalha, a maior parte de nós considera realmente que é o trabalho das 9H ás 18H que confere identidade a alguém.

Depois da minha vinda de férias, um dos meus colegas disse-me em jeito de brincadeira:

 “Anhh.. isso é que foram férias, agora é voltar para vida real e esperar pelas férias outra vez”.  Para mim, o ar ficou pesado demais mas ninguém, mas ninguém à minha volta, olhou de maneira estranha, ninguém ficou desconfortável e ninguém saiu da sala com medo do que ele tinha acabado de dizer. Eu fiquei. Afinal o que é que o dia-a-dia da maior parte das pessoas tem de real depois de chegar de férias? A maior parte das coisas que fazemos em sociedade são tarefas com um realismo abaixo de zero.

Será assim tão surrealista as pessoas assustarem-se quando alguém deixa tudo e vai ser feliz a fazer compotas e ordenhar vacas no Sul de França?