Eles e nós.

Eles e nós.

Existe uma característica tipicamente masculina que me põe doente de inveja boa.

Eles não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Parece mau, mas é espetacular. Está na moda falar em Mindfullness, uma capacidade de viver o momento focando apenas o presente, que no fundo é como dizer Carpe diem comteporanêo. No fundo, é a capacidade de viver a vida com mais presença de espírito.

Existe alguma dificuldade da nossa parte em fazer isto, existe uma vontade imensa de todas nós, mulheres, sermos assim: livres, soltas, selvagens, focadas num só propósito, mas há sempre, sempre alguma coisa dentro de nós que se mantém em alerta, quiçá um precoce instinto maternal? É muito difícil deixar fluir, para as mulheres é fulcral que tudo esteja a bater certo, no tempo certo e de acordo com aquilo que planeámos, por isso este pensamento obcessivo-compulsivo com a realidade que nos rodeia  – Então quando se junta um grupo de mais de três, esqueçam. Elas são pensamentos, elas são dúvidas, elas são angústias. Cruzam-se ideias e debatem-se angústias tudo em simultâneo e ainda assim entre uma coisa e outra, há sempre alguma que ainda consegue estar com a cabeça em Marte.

Já para eles, o mundo pode estar a ter um terramoto de 8,7 à escala de Ritcher, o que interessa são os amigos e a cerveja.

Escusam de ir fazer cursos de Mindfullness, perguntem-lhes como é que se faz.