Intesidade

Intesidade

Digo muitas vezes que quando gosto de alguma coisa, gosto dessa coisa até não conseguir olhar mais para ela. Nunca consigo comer só um chocolate , nunca consigo beber só um café e nunca consigo abraçar só uma vez. Deve ser por isso que continuo a esbarrar em desafios que me obrigam a escolher o caminho de meio.

Apesar de perceber que a moderação é necessária, a verdade é que temos caído neste limbo em que a sociedade nos empurra a viver as coisas pela metade. Somos mais ou menos livre, ou mais menos amados ou estamos mais ou menos vivos. Digam o que quiserem, mas estar mais ou menos feliz também não existe.

E sim, o caminho de meio é fundamental mas para mim quando falamos em agarrar a vida com unhas e dentes não pode existir moderação. Usar a moderação para tudo na vida mata, mata lentamente, mas mata.

Morro de amor por pessoas que amam a vida intensamente e acho até alguma piada a quem desafia a vida. Um dos meus desejos mais profundos é um dia ser completamente imune ao medo da vida.

Acredito mesmo que o medo da vida é das doenças mais mortais desta nossa sociedade não tão sã assim. Na minha opnião, um dos maiores desafios de qualquer ser humano é desafiar-se a si próprio a dançar ao ritmo que a vida toca, uma dança de com uma dose tão grande de cumplicidade como de fragilidade.

Neste momento, o meu maior desafio tem sido arriscar-me em territórios longes da minha zona de conforto, às vezes volto a correr para colos seguros outra vezes sorrio e agradeço à vida.

Um dos meus maiores anseios é a falta de controlo que temos nos nossos corpos fisícos. Para quem me conhece sabe que sou uma hipocondríaca quase incurável, conheço quase todos os medicamentos e adoro ler bulas. Assuta-me horrores saber que a vida como a conhecemos pode ser ameaçada por uma doença. Tenho sempre medo que me arranquem a vida com a mesma intensidade que a gosto de viver. Tenho muito para aprender, mas acredito que ser consciente disto pode-me ajudar a ultrapassar. Parece incoerente não é? Como é que posso adorar a vida e ter medo de uma gripe com uma febre mais alta que o normal? Mas acho que a vida real é isso mesmo, aceitar que temos bloqueios, tentar desamarrá-los e viver, sempre, intensamente.