Liberdade

Liberdade

“The concept of freedom is an absolute. After all, one cannot be moderately dead or moderately loved or moderately free. It must always remain a matter of either or” – The Duchess

Deixem-me ser livre para andar ao meu ritmo, deixem-me ser livre para beber os cafés que me apetecer, deixem- me ser livre para chorar quando sentir que é para chorar ou para sorrir quando não devo.

Tantas e tantas vezes que discuti com a minha mãe sobre este tema, a minha mãe sempre me quis ver bem, mas tanto me queria ver bem que eu fazia das tripas coração para estar bem. Os pais tem, muitas vezes, um papel ingrato. Dão-nos o que tem e o que não tem e há sempre uma queixa, uma discussão, um amuo.

Mas mãe, isto não é uma queixa,nem uma discussão, nem um amuo.  

Sempre batalhei comigo própria para estar agradecida,  para estar feliz, para ser simpática, para ser honesta, para ser sorridente, para não ser desagradável. Mas há dias cinzentos, há momentos em que isso não é possível. Durante muito, muito tempo ouvia o que era preciso ser e não o que eu queria ser.

Sorria para  pessoas desagradáveis porque era educada, porque era agradecida e porque que eu tinha tudo – tinha uma casa quentinha, comida na mesa, uns pais espetaculares e até tinha aulas de música privadas.

A liberdade para sentir é a primeira e a última liberdade. Acredito que a maior parte das doenças mentais se desenvolvem pela repressão mental que todos nós sentimos, atropelamo-nos dia após dia e temos acções com os outros que nos corrompem por dentro. Acredito que a tristeza e a agressividade reprimida é meio caminho andado para desenvolver uma doença mental.

Devemos ser agradecidos, sim, sem dúvida, mas ser agradecido não deve ser  sinónimo de não olhar a tristeza de frente ou de não tratar os nossos monstros por tu. Aliás, ser agradecido é isso tudo.

Viver em sociedade é esconder a agressividade e tristeza debaixo dos tapetes da vida, aos olhos da sociedade é feio ser agressivo e é bastante desagradável ter que lidar com a depressão do outro.

A Alegria e a Tristeza são dois estados mentais, um não é mais do que o outro e biologicamente fomos concebidos para lidar com os dois. Tal como a alegria, a tristeza precisa de ter um espaço e um tempo próprio e deve ser respeitada. Acolher a tristeza como acolhemos a alegria não é uma escolha, é um agradecimento de estarmos vivos e de podermos sentir tudo o que a vida nos permite sentir.

Respeitar o que sentimos é também um conceito absoluto, ou nos respeitamos por inteiro ou não nos respeitamos de todo.