Silêncio

Silêncio

Acredito que os maiores mistérios da vida se podem resolver depois de um encontro a sós com a nossa almofada, num duche bem quente ou simplesmente na comtemplação do silêncio. Nenhuma das três opções tem elaboração oral, gosto de pensar que pelo sentido lógico fomos, por alguma razão, biologicamente concebidos com dois ouvidos, dois olhos, duas mãos, duas narinas e apenas uma boca.

Uma das minhas tias gosta ainda de acrescentar que além desta concepção sensorial admistrada pela mãe da natureza, foi-nos ainda acrescentado uma saliência entre a boca e o nariz, onde o dedo indicador encaixa na perfeição quando o encostamos no lábio. Confesso que tenho uma dificuldade enorme em não dar uma opinião ou de simplemeste expressar-me verbalmente só porque sim, por isso a minha tia diz-me sempre: “Quando sentires que estás a falar demais lembra te de colocar o dedo indicador na saliência que o universo teu deu que está entre a tua boca e o teu nariz”.

Blaise Pascal já no século XVII dizia que os maiores problemas da humanidade decorrem da incapacidade de o homem estar tranquilamente sentado no seu quarto. Uns séculos mais tarde, a conclusão continua a ser uma verdade universal, e pelo andar do mundo continuará a ser nos próximos séculos.

Infelizmente, para muitos de nós, o silêncio não opera na nossa vida ou pelo menos, não na maior parte do nosso tempo. O silêncio deve ser um momento de comtemplação mas não precisamos de estar necessariamente a meditar para encontrá-lo no sentido literal. Pascal falava-nos também nas caracteristicas egoícas comuns a todos nós que são o sintoma desta incapacidade de parar. Quando não estamos tranquilos estamos em modo operandi, é normalmente nesse modo operandi que acontece o caos.

Considero-me bastante acelarada, falo muito rápido e falo muito, gosto que as coisas aconteçam rápido e frusto-me se não acontece ao ritmo que estou habituada. É sempre no silêncio que me encontro, que ouço o que me grita a intuição, é no silêncio que o coração me dá direcções e as respostas que preciso.

Luto muito para desacelerar, às vezes não consigo. No entanto, há coisas que me fazem acreditar que isso é possível. Para mim, o silêncio entre duas pessoas que se amam pode ser terapeûtico, um cafuné depois de um dia-não pode melhorar o meu mundo e o colo da minha mãe pode fazer o mundo girar à velocidade normal outra vez.