Sozinho

Sozinho

É um dos maiores desafios da vida toda não é?

Eu sei, existem muitas pessoas que adoram estar sozinhas, não é o meu caso. Adoro pessoas até à exaustão. É mesmo dificil para mim não trocar palavras ou não ter uma conversa só porque sim.

Os meus pais só me tiveram a mim, por isso aconteceu-me brincar sozinha, falar sozinha e moldar-me rapidamente aos assuntos dos mais crescidos – o que não era assim tão divertido.

Apesar de ter crescido como filha única nunca me aconteceu gostar de ter sido a única filha – já ouvi imensas pessoas dizerem que foi óptimo e que tiveram a oportunidade de apreciarem a sua companhia e aprenderem a estar sozinhas na vida. Eu não gostei mesmo de ser filha única, primeiro porque adoro casas cheias e pessoas a falar à minha volta, segundo porque não gosto assim tanto de falar sozinha e terceiro porque acredito que sozinhos não chegamos a lado nenhum na vida.

Cada vez mais noto que é usal os casais mais novos dizerem que querem dar boas educações aos filhos, que lhes querem dar as melhores educações, que querem ter dinheiro para pagar explicações e aulas de dança aos sabádos de manhã. Como filha única posso dizer que preferia milhões de vezes não ter tido tanta coisa e ter tido irmãos – mas mil vezes.

Estamos a construir uma sociedade cada vez menos real, e assusta-me que ninguém se assute. Acredito que a solidão só é benéfica quando já nos sabemos dar aos outros, quando sabemos que os nossos colos estão sempre prontos para nos receberem e que haverá sempre um abraço que será o remédio para todos os males. Há vezes que gosto de estar só comigo – gosto dos meus passeios sozinha, gosto de cozinhar sozinha e falar sozinha, gosto de pintar sozinha e que ninguém esteja em casa para falar do quanto sujei a cozinha com as minhas tintas pelo chão.

Acho que tamém me habituei cedo demais a estar sozinha, isso vacionou-me.

É bom, mas se for demais inquieta-me.