Um pequeno pássaro

Um pequeno pássaro

O sol estava quente e o barulho das árvores e das folhas faziam-me sentir imensamente agradecida por poder testemunhar aquele momento.

Enquanto bebia café, um pequeno passarinho pousou na minha mesa – como se também quisesse testemunhar  aquele momento comigo. Assim, durante alguns segundos ficámos ali os dois a olhar aquele momento bonito.

Pousei na mesa um pouco de pão e aquele passarinho, com toda a coragem do mundo, tirava cada migalhinha como se fosse o maior tesouro que eu guardava. Mais uma vez, ficamos ali uns segundos os dois a provar ao mundo que o mundo é mesmo feito de entre ajuda –  Hoje eu dou te umas migalhas do meu pão e outras vezes tu cantas para me alegrar.

Passado uns segundos levou mais um pouco de pão, deu às asas e foi-se embora. Olho muitas vezes para as plantas e para os animais, quanto mais olho, mais os admiro e mais acredito que nós, Homens, não sabemos nada e achamos que sabemos tanto.

No outro dia alguém falava do importância excessiva que damos à nossa espécie, achamos que somos mais evoluídos e que somos animais superiormente racionais e inteligentes – A espécie humana é realmente curiosa.

No final de contas, um bebé humano é provavelmente o único animal que demora mais de 2 anos a andar  e mais uns quantos até se tornar-suficiente. Mesmo assim, falamos da auto-suficiência da nossa espécie como se tratasse da maior descoberta do mundo. Esquecemo-nos que os animais fazem isso há milhares de anos sem precisar que ninguém os aplauda por isso.

Naquele dia, ao olhar para aquele passarinho, percebi que nós não percebemos mesmo nada deste mundo. Afinal, só precisamos de um pouco de coragem para termos o que queremos e do que precisamos, tal e qual como um passarinho fez por um pouco de pão.